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Valença em debate, por Francisco Doudment PDF Imprimir E-mail
Escrito por Lurdinha   
Qua, 01 de Fevereiro de 2012 21:39

Valença vive crise na saúde e educação

O mês de dezembro, que deveria ser um mês de festas para o cidadão de Valença, foi marcado por cenas lamentáveis. Numa das últimas reuniões do ano de 2011, os vereadores resolveram trancar as portas da Câmara de Vereadores, enquanto, lá no segundo andar, arrumavam um meio de dar uma resposta aos inúmeros profissionais da educação e da saúde que se encontravam na rua e queriam respostas para suas reivindicações. A principal delas, a respeito do encerramento das atividades do Hospital José Fonseca– Santa Casa de Valença. Após permitirem a entrada dos profissionais, falaram tudo, não disseram nada e vão fazer de tudo para que tudo fique do mesmo jeito.

O SEPE (Sindicato estadual dos Profissionais da Educação) por sua vez, alerta à população através de um comunicado, que um professor com 20 anos de casa e formação superior, recebe o salário de R$ 922,00 e um atendente com ensino fundamental completo recebe R$ 1.170,00. Informa também que o rombo do Fundo Municipal de Previdência (PREVI) se aproxima dos R$ 3.000.000,00.

A Câmara de Vereadores reuniu-se no dia 29/12/2011, às 10 horas, em caráter extraordinário, para discutir matéria do executivo a respeito do parcelamento dessa dívida do PREVI-VALENÇA pela prefeitura. É o segundo parcelamento solicitado pelo Município relacionado à falta de repasses dos recursos previdenciários. Na reunião, o vereador Zan (Luiz Antônio Rocha Assumpção Filho - PT) solicitou que o parcelamento fosse feito em 12 meses e o vereador Naldo (José Reinaldo Alves Bastos - PMDB), alegando que a prefeitura ficaria engessada, solicitou que se mantivesse o parcelamento em 60 meses, que acabou sendo aprovado por 8 votos contra1. O vereador Fernandinho Graça (Luiz Fernando Furtado da Graça - PP) não compareceu.

O que deveria ser questionado pelos vereadores é onde foi aplicada essa verba não depositada no fundo previdenciário dos servidores. Certamente, o rombo do Fundo Municipal de Previdência vai crescer com os recentes aumentos salariais concedidos aos demais servidores, pois os nossos legisladores, que deveriam estar atentos a esse imbróglio e cobrar um mínimo de respeito a quem paga o seu salário, não cumpre a sua função que é fiscalizar os atos do Executivo Municipal e fazê-lo cumprir a lei orgânica, sendo o mediador entre os habitantes e o Prefeito.

Os problemas entraram em 2012 e foram agravados na assembléia convocada pelo Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (SEPE), que aprovou greve na categoria para fevereiro sob a alegação de que o prefeito Vicente Guedes (PSC) não cumpriu o acordo prevendo reajuste de 14% para os profissionais. Resta saber se esta greve será considerada legal pela justiça, uma vez que o dissídio da categoria é em março. O Prefeito acusa que a categoria está sendo enganada por líderes que a estão usando para conquistas pessoais e políticas e, devido às acusações consideradas caluniosas, solicitou à Procuradoria Jurídica que tome as providências judiciais para processar civil e criminalmente seus autores.

Para aumentar o fogo da fritura, o Provedor do Hospital José Fonseca, Paulo Sérgio Bittencourt, vem a público informar que a prefeitura tem uma dívida não paga de R$ 30.000,00, visto não ter cumprido o acordo feito de pagar o fornecimento de quentinhas aos funcionários da prefeitura que trabalham no Pronto Socorro e nas ambulâncias. Informa, também, que o pagamento mensal por parte da prefeitura do contrato de aluguel do prédio onde funciona a creche São José, com vigência em abril de 2011, no valor mensal de R$ 6.632,00, que seria para pagar as mensalidades da aquisição de uma Usina Produtora de Oxigênio, ficou também na saudade. Por fim, alega que o Secretário de Saúde Thiago José Gomes Faria, para encerrar com brilhantismo o fim do Hospital José Fonseca, retirou o Pronto Socorro de lá e o levou para o Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi da Fundação André Arco Verde (FAA).

Os funcionários da Santa Casa não receberam o 13º salário em 2009, 2010 e 2011. Em 2010, não houve o recebimento de pagamentos de outubro e novembro, e, em 2011, de outubro, novembro e dezembro. Os servidores do Hospital José Fonseca - Santa Casa de Valença, que ainda acreditam em intervenções sobrenaturais, fizeram uma passeata nas vésperas do Natal reivindicando ao Deputado Estadual André Corrêa (PSD) e ao Deputado Federal Leonardo Picciani (PMDB), intervenção para evitar o fechamento.

O Deputado André Corrêa (PSD) esteve em Valença no dia 21 de janeiro de 2012, fazendo um exercício de pirotecnia, tentando arrumar uma solução para o não fechamento do hospital. Aparentemente, não teve êxito em seu intento.

No meio de todo esse tiroteio, ficam os cidadãos que não tem atendimento médico de qualidade, os profissionais da saúde que não recebem o seu salário, e o sistema educacional cada vez mais precário pelas dificuldades da profissão e pelos baixos salários. O Prefeito Vicente Guedes (PSC), juntamente com o seu grupo de vereadores, tem mais um ano de trabalho pela frente para completar ou não a destruição do que ainda resta de bom nessa cidade.

Valença em debate, por Francisco Doudment